Quando você se cobra demais, mas ainda acha que não é o suficiente
- andreaayumi
- 9 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Você já se pegou pensando que, mesmo tentando tanto, ainda não fez o suficiente?
Mesmo depois de um dia cheio, ainda acha que ficou devendo? Que poderia ter feito melhor, sido mais paciente, mais produtivo, mais presente, mais forte?
Esse sentimento de insuficiência não é incomum — e muitas vezes vem acompanhado de um tipo de cobrança interna que não dá trégua.
Às vezes, ele se disfarça de “exigência saudável” ou “vontade de melhorar”. Outras vezes, aparece com mais força, como uma voz interna crítica que diz que você deveria estar em outro lugar, fazendo mais, sendo diferente.
O problema não está exatamente em querer evoluir. O problema é quando essa expectativa vira um padrão de rigidez que rouba a sua capacidade de reconhecer o que já foi feito, o que já é suficiente, o que já é você.
O que há por trás dessa autocrítica?
Do ponto de vista da psicologia, essa cobrança constante costuma estar ligada a esquemas cognitivos aprendidos muito cedo. Às vezes, vêm de contextos onde o afeto estava condicionado ao desempenho. Onde o “estar certo”, o “dar conta” ou o “não incomodar” foram estratégias para se sentir aceito.
Com o tempo, a mente vai reforçando a ideia de que só é digno quem não erra, quem nunca falha, quem está sempre fazendo mais.
É como se o próprio valor pessoal estivesse vinculado ao quanto se produz, ao quanto se acerta, ao quanto se ajuda.
E isso, com o tempo, gera exaustão emocional — porque nunca é o bastante.
A diferença entre responsabilidade e autocobrança
Existe um tipo de responsabilidade que nos ajuda a crescer. Ela vem com compromisso, mas também com gentileza.
Já a autocobrança, por outro lado, é uma exigência que sufoca e paralisa. Ela não considera contexto, não respeita o cansaço e ignora as pequenas conquistas.
Na terapia, muitas vezes, é possível aprender a reconhecer essa voz crítica interna e construir um diálogo diferente com ela. Não para silenciá-la completamente, mas para que ela não seja a única voz presente.
E se você começasse a se olhar com mais honestidade — e menos julgamento?
Isso é aprender a se enxergar por inteiro: com as partes que ainda estão em processo, com as tentativas imperfeitas, com as pausas que foram necessárias.
É reconhecer o esforço que nem sempre aparece, mas está ali, no simples fato de continuar tentando, mesmo quando é difícil.
Talvez você esteja fazendo mais do que percebe.
Talvez já seja o suficiente.
Ou, pelo menos, suficiente por hoje.
Se esse texto despertou algo em você, talvez seja um bom momento para olhar com mais cuidado para o que está por trás dessas exigências. E lembrar que mudar a forma como você se trata também é parte do processo de se cuidar.


Comentários