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Nem sempre o desconforto é sinal de perigo: o papel das emoções

As emoções são como bússolas internas. Elas não existem por acaso: evoluíram ao longo do tempo para nos orientar, proteger e favorecer a nossa sobrevivência. Quando sentimos medo, por exemplo, nosso corpo nos alerta para possíveis ameaças no ambiente. Quando surge a tristeza, tendemos a desacelerar e olhar para dentro, processando perdas ou mudanças.

Cada emoção tem uma função: sinaliza algo que importa.

Mas aqui está um ponto fundamental que muitas pessoas esquecem: as emoções são importantes, mas não são infalíveis.


Emoções são sinais, não sentenças

Nosso cérebro emocional reage muito rápido, às vezes mais rápido do que conseguimos processar racionalmente. Isso é útil em situações de risco real, mas pode se tornar confuso quando estamos vivendo algo novo, desafiador ou que nos tira do padrão habitual. Nesses momentos, podemos sentir:

  • Medo, mesmo quando não há perigo concreto.

  • Culpa, mesmo tendo agido de forma ética.

  • Ansiedade, mesmo diante de oportunidades positivas.


Isso não significa que tenha algo de errado com você. Significa apenas que seu sistema emocional está fazendo o seu trabalho: reagindo ao desconhecido para tentar te proteger, ainda que essa proteção nem sempre seja necessária.


O desconforto do novo não é o mesmo que sinal de ameaça

Mudar um padrão, colocar um limite, iniciar um projeto, encerrar um ciclo ou se permitir ser visto pode ativar desconforto. Mas esse desconforto não é prova de que você está no caminho errado. Na verdade, ele pode ser justamente o sinal de que você está saindo do piloto automático e entrando em contato com aquilo que tem valor para você.


Nem todo desconforto é um alerta. Às vezes, é apenas um lembrete de que você está se movendo em direção ao crescimento.

Por que confundimos desconforto com perigo?

Nosso cérebro busca a familiaridade. O que é conhecido passa a sensação de segurança, mesmo que não seja bom para nós. Já o que é novo exige energia, adaptação e, muitas vezes, vulnerabilidade. E vulnerabilidade é um terreno emocional delicado, pois nos coloca em contato com a incerteza.

Então, é claro que colocar um limite em alguém que sempre ultrapassou seus espaços pode gerar tensão. Dar um passo na carreira depois de anos estagnado pode causar frio na barriga. Iniciar algo que você nunca fez antes pode despertar dúvida. Mas esse desconforto não significa que você está em perigo. Significa que você está em movimento, construindo uma história com mais intenção e menos repetição automática.


O que fazer quando o desconforto aparecer

  • Observe a emoção sem segui-la automaticamente

  • Pergunte-se: “O que estou sentindo é um sinal de risco real ou apenas reação à novidade?”

  • Valide seu esforço: sentir desconforto não invalida o valor da sua escolha.

  • Lembre-se: a presença de desconforto não é prova de erro, mas sim de mudança.


Crescer também é se permitir sentir

Desenvolver uma relação saudável com as emoções não significa eliminá-las, mas aprender a escutá-las com discernimento. As emoções nos guiam, mas é a nossa consciência que nos permite decidir com base no que é importante, não apenas no que é familiar.

E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de coragem: continuar caminhando com o coração acelerado, sabendo que o desconforto faz parte de quem está construindo uma vida coerente com seus valores.


Porque, no fim das contas, o desconforto de sair do lugar é bem diferente da dor de permanecer em um lugar que já não faz sentido para você.

 
 
 

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