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Quando a preocupação não começa na mente, mas no corpo

  • 27 de jan.
  • 3 min de leitura

A forma como lidamos com as preocupações do dia a dia vai, aos poucos, moldando nosso modo automático de reagir diante de situações futuras. Quanto mais frequentemente respondemos às incertezas com ansiedade, antecipação negativa ou ruminação, mais esse caminho se torna familiar para o cérebro. Não porque seja o mais adequado, mas porque é o mais treinado.


Com o tempo, aquilo que repetimos passa a parecer “natural”.


Isso não significa que estamos fadados a pensar sempre da mesma forma, mas nos lembra que atenção e repetição importam. Não temos controle absoluto sobre o que surge na mente, mas podemos escolher quais pensamentos merecem ser alimentados e quais podem ser observados com mais distância.


O papel do cérebro: proteção, não precisão


É importante lembrar que o cérebro não funciona como um juiz imparcial da realidade. Ele opera, sobretudo, como um sistema de proteção. Sua função principal é antecipar riscos e tentar manter você — e quem é importante para você — em segurança.


O problema é que, para fazer isso, ele trabalha com informações incompletas. Nem sempre tem acesso a todos os dados, contextos ou explicações possíveis. Ainda assim, precisa chegar rapidamente a alguma conclusão. E, nessas horas, tende a errar mais pelo excesso do que pela falta: prefere imaginar cenários difíceis a correr o risco de ser pego de surpresa.


Preocupação e estresse: um ciclo que se retroalimenta


Muitas pessoas acreditam que o estresse surge porque se preocupam demais. Mas, na prática, esse processo costuma ser mais circular. Em muitos casos, o estresse já está presente antes mesmo de a preocupação ganhar forma.


Quando o corpo está cansado, sobrecarregado ou em constante estado de alerta, a mente acompanha esse ritmo. Pensamos mais, analisamos mais, antecipamos mais. O excesso de preocupação aumenta o estresse, e o estresse, por sua vez, facilita que a mente entre em um modo de vigilância constante.


Nesses momentos, o cérebro passa a buscar explicações para a tensão interna. Situações neutras ou ambíguas ganham interpretações negativas. Aquilo que em outro dia seria irrelevante passa a ocupar espaço, gerar dúvida e alimentar cenários imaginados.


Além disso, sob estresse elevado, o cérebro tende a usar atalhos mentais. Um deles é tratar pensamentos como se fossem fatos. A simples possibilidade vira quase uma certeza. A ansiedade cresce, e a mente passa a girar em torno das mesmas previsões, geralmente as mais ameaçadoras.


Antes de discutir com os pensamentos, olhe para o nível de estresse


Diante disso, tentar apenas “parar de pensar” ou “pensar positivo” costuma ser pouco eficaz. Muitas vezes, faz mais sentido dar um passo atrás e avaliar como está o corpo.


Privação de sono, alimentação desregulada, sedentarismo, excesso de estimulantes ou álcool tornam o sistema nervoso mais sensível. Nesse estado, pensamentos catastróficos encontram terreno fértil para se instalar. Cuidar das necessidades básicas não elimina as preocupações, mas reduz a intensidade com que elas aparecem.


Regular o corpo ajuda a regular a mente.


Quando a preocupação merece atenção


Nem toda preocupação é inútil. Algumas sinalizam problemas reais que pedem ação. O desafio está em diferenciar aquilo que está sob nosso controle daquilo que não está.


Quando uma preocupação aponta para algo concreto, o próximo passo é pensar em atitudes possíveis. Às vezes, é uma ação imediata. Outras vezes, é apenas traçar um plano, organizar ideias, definir pequenos passos. Mesmo ações simples costumam gerar um alívio emocional maior do que permanecer paralisado, imaginando desfechos negativos.


Sentir-se minimamente ativo diante de uma situação difícil ajuda a restaurar a sensação de agência. Isso não significa resolver tudo, mas recuperar a percepção de que é possível atravessar.


Pequenos movimentos mudam o presente


Cuidar da saúde mental não é eliminar a incerteza nem garantir que nada dará errado. É aprender a lidar com o desconforto sem permitir que ele tome todas as decisões.


Ao focar em melhorar o momento presente — ainda que de forma modesta —, criamos pequenas interrupções no ciclo da preocupação. Esses gestos, muitas vezes discretos, têm efeitos que se acumulam: sobre o humor, sobre o corpo e sobre a forma como nos relacionamos com os outros.


Nem sempre podemos controlar o futuro. Mas quase sempre podemos escolher como atravessar o agora.

 
 
 

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