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Por que pensar positivo nem sempre diminui a ansiedade?

  • 27 de jul.
  • 3 min de leitura

Quando estamos ansiosos, é comum tentar convencer a nós mesmos de que "vai dar tudo certo"


Talvez você já tenha ouvido (ou dito para si mesmo) frases como:

"É só pensar positivo."

"Não adianta sofrer antes da hora."

"Tenho certeza de que vai dar certo."


Embora essas frases geralmente tenham a intenção de aliviar a ansiedade, muitas pessoas percebem que o efeito dura pouco. Em alguns casos, elas podem até aumentar a frustração quando os pensamentos preocupantes continuam aparecendo.


Isso acontece porque a ansiedade não surge simplesmente por falta de pensamentos positivos.


A ansiedade tenta preparar você para o pior

Do ponto de vista psicológico, a ansiedade está relacionada à antecipação de possíveis ameaças.


Quando seu cérebro identifica algo como importante ou incerto — uma entrevista de emprego, um exame médico, uma conversa difícil ou uma mudança de vida — ele começa a fazer previsões.


Algumas dessas previsões podem ser úteis. Elas nos ajudam a nos preparar, planejar e agir.

O problema aparece quando esse sistema passa a superestimar os riscos e subestimar a nossa capacidade de lidar com eles.


Nesse momento, surgem pensamentos como:

"E se eu fracassar?"

"E se eu não conseguir?"

"E se alguma coisa der errado?"


O problema nem sempre é o pensamento em si, mas a forma como nos relacionamos com ele.


O objetivo não é trocar um pensamento negativo por um pensamento positivo

Muitas pessoas imaginam que lidar com a ansiedade significa substituir:

"Vai dar tudo errado." por "Vai dar tudo certo."


Na prática, isso nem sempre funciona.

Quando estamos muito ansiosos, nosso cérebro costuma perceber esse pensamento positivo como pouco convincente.

É como tentar responder a uma preocupação intensa com uma frase que parece ignorar toda a incerteza da situação.

Em vez disso, costuma ser mais útil construir pensamentos que reconheçam tanto a realidade quanto as possibilidades.


Por exemplo:

"Não tenho como saber exatamente o que vai acontecer."

"Talvez algumas coisas não saiam como espero, mas posso lidar com elas se acontecerem."

"Posso me preparar para o que está ao meu alcance e aceitar que nem tudo depende de mim."


Esses pensamentos não oferecem garantias. Eles oferecem uma forma mais flexível de enfrentar a incerteza.


A ansiedade diminui quando mudamos apenas nossos pensamentos?

Nem sempre. A maneira como agimos também influencia a intensidade da ansiedade.


Imagine alguém que acredita que será julgado ao falar em público. Se essa pessoa evita todas as situações em que precisa se expor, ela pode sentir alívio naquele momento. Mas, sem perceber, o cérebro aprende que evitar foi o que a manteve segura.

Assim, a ansiedade tende a permanecer ou até aumentar.


Por outro lado, quando a pessoa começa, de forma gradual e planejada, a enfrentar situações importantes para ela, surgem oportunidades de aprender algo novo sobre si mesma e sobre a realidade.


É por isso que, na psicoterapia baseada em evidências, trabalhamos não apenas com pensamentos, mas também com comportamentos, emoções e contexto.


Conviver melhor com a incerteza faz parte do processo

Uma das características da ansiedade é a busca por certeza absoluta. Gostaríamos de saber que tudo dará certo antes de agir. Mas a vida dificilmente oferece esse tipo de garantia.


Desenvolver recursos para lidar com a incerteza não significa gostar dela ou deixar de se preparar. Significa reconhecer que nem tudo pode ser controlado e, ainda assim, continuar caminhando na direção do que é importante.


Essa mudança costuma ser mais sustentável do que tentar eliminar qualquer pensamento negativo.


Em resumo

Pensar positivo pode ser agradável em alguns momentos, mas nem sempre é suficiente para lidar com a ansiedade.


Muitas vezes, o que realmente ajuda é desenvolver uma forma mais flexível de pensar, agir de acordo com aquilo que está sob nosso controle e aprender a conviver com as incertezas que fazem parte da vida.


Esse processo não elimina todas as dificuldades, mas pode tornar a relação com elas muito diferente.

 
 
 

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