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Por que me sinto atrasado na vida?

13 de out.
5 min de leitura

Talvez você não saiba exatamente o que está faltando.

Mesmo que em você trabalhe, estude, faça planos, podem existir alguns momentos que surjam a sensação de que deveria estar mais longe.

Pessoas da mesma idade parecem ter avançado mais. Alguém comprou uma casa. Outra pessoa mudou de carreira. Alguém se casou, teve filhos, viajou, abriu um negócio.

E, mesmo sabendo que cada pessoa tem uma história diferente, alguma coisa continua incomodando:

“Eu deveria estar em outro lugar a essa altura.”


Essa sensação de estar atrasado na vida é mais comum do que parece. E nem sempre significa que você realmente esteja deixando de fazer algo importante.

Às vezes, ela aparece quando começamos a usar a vida de outras pessoas (ou uma expectativa que construímos sobre nós mesmos) como medida para avaliar a nossa própria trajetória.


Existe mesmo um momento certo para cada coisa?

É comum construirmos, ao longo da vida, algumas ideias sobre como as coisas deveriam acontecer.

Até determinada idade, deveríamos ter terminado os estudos. Depois, conseguido um bom trabalho. Em algum momento, encontrado uma relação estável, comprado uma casa, construído uma carreira, formado uma família ou alcançado algum outro objetivo.

Essas expectativas podem até fazer parte dos nossos planos.

O problema começa quando elas deixam de ser apenas possibilidades e passam a funcionar como regras.

Então, uma pergunta como:

“O que eu gostaria de construir para a minha vida?”

pode se transformar em:

“Por que eu ainda não consegui isso?”

A diferença parece pequena, mas muda bastante a forma como olhamos para nós mesmos.

No primeiro caso, existe espaço para escolha.

No segundo, existe uma espécie de cobrança.


A comparação pode transformar caminhos diferentes em uma corrida


Nem sempre precisamos estar conscientemente nos comparando para sentir que estamos ficando para trás.

Às vezes, basta perceber que alguém avançou em uma área que consideramos importante.

Uma pessoa da mesma idade muda de emprego.

Outra começa uma pós-graduação.

Alguém anuncia uma gravidez.

Um amigo compra um apartamento.

Uma pessoa que estudou com você alcança uma posição profissional que você gostaria de ter.

E, de repente, aquilo que estava relativamente bem começa a parecer insuficiente.

Não necessariamente porque alguma coisa mudou na sua vida.

Mas porque a régua mudou.

A conquista do outro passa a funcionar como uma medida para avaliar aquilo que você ainda não alcançou.

O problema é que essa comparação costuma ser bastante desigual.

Você conhece o seu caminho por inteiro.

Conhece suas dúvidas, seus medos, as decisões que não deram certo, as oportunidades que perdeu, as vezes em que precisou recomeçar e tudo aquilo que ninguém vê.

Do outro lado, muitas vezes conhece apenas uma pequena parte da história da outra pessoa.

Você vê o resultado.

Não necessariamente o caminho até ele.

“Mas eu realmente estou atrasado?”

Essa pode ser uma pergunta importante.

Mas talvez seja ainda mais importante perguntar:

Atrasado em relação a quê?

Quem definiu que você deveria estar onde está imaginando?

Essa expectativa veio de um desejo seu?

Da sua família?

Do ambiente em que cresceu?

Daquilo que você vê nas redes sociais?

De uma ideia de sucesso que foi sendo construída ao longo dos anos?

Ou de uma comparação que começou quase sem você perceber?

Não existe uma resposta universal para o que uma pessoa deveria ter conquistado aos 25, 30, 35 ou 40 anos.

As pessoas começam coisas diferentes em momentos diferentes.

Mudam de profissão.

Terminam relações.

Começam outras.

Mudam de cidade.

Descobrem interesses novos.

Passam por períodos em que precisam apenas sobreviver a uma fase difícil.

Algumas escolhas acontecem cedo. Outras só fazem sentido depois.

Isso não significa que qualquer escolha seja adequada ou que não existam consequências para nossas decisões. Significa apenas que a vida não acontece seguindo um único cronograma.


Às vezes, o que pesa é a ideia de que você deveria estar mais à frente


Existe uma diferença entre reconhecer que gostaria de mudar alguma coisa e concluir que você está atrasado por ainda não ter mudado.

A primeira percepção pode ajudar a orientar uma decisão.

A segunda pode transformar a própria trajetória em motivo de vergonha.

Por exemplo:

“Eu gostaria de estar em outra posição profissional.”

é diferente de:

“Na minha idade, eu já deveria estar muito mais longe.”

A primeira frase aponta para um desejo.

A segunda transforma esse desejo em uma avaliação sobre o próprio valor.

E, quando isso acontece, pode surgir uma sensação de fracasso mesmo quando existem muitas coisas que foram construídas ao longo do caminho.


A sensação de atraso também pode estar ligada à expectativa de que chegar vai resolver tudo


Às vezes, imaginamos que existe um ponto específico depois do qual finalmente vamos nos sentir satisfeitos.

“Quando eu conseguir esse emprego...”

“Quando ganhar mais...”

“Quando encontrar alguém...”

“Quando comprar minha casa...”

“Quando terminar essa etapa...”

Talvez então venha a sensação de que finalmente chegamos.

Mas, para algumas pessoas, quando uma meta é alcançada, outra imediatamente aparece.

A régua se move.

O que antes parecia suficiente deixa de ser.

E surge novamente a sensação de que falta alguma coisa.

Nesse caso, talvez a questão não seja apenas o que ainda falta conquistar, mas também qual é o critério usado para decidir quando algo é suficiente.

Se esse critério muda o tempo todo, chegar pode se tornar impossível.

Nem sempre você precisa de uma nova meta. Às vezes, precisa rever a régua

Quando sentimos que estamos atrasados, uma reação comum é tentar acelerar.

Fazer mais.

Trabalhar mais.

Estudar mais.

Planejar mais.

Comparar mais.

Tentar recuperar o tempo que imaginamos ter perdido.

Mas existe uma pergunta que pode ser anterior a tudo isso:

“Essa é realmente a vida que eu quero construir?”

Porque talvez algumas metas ainda façam sentido.

E talvez outras tenham sido incorporadas ao longo do caminho sem que você tenha parado para perceber.

Às vezes, queremos determinada conquista porque realmente desejamos aquilo.

Outras vezes, queremos porque aprendemos que aquela conquista significa sucesso, segurança, maturidade ou valor.

Questionar isso não significa abandonar objetivos.

Significa descobrir quais deles ainda são seus.


E se você estiver em um momento diferente, e não atrasado?


Talvez essa seja uma das partes mais difíceis de aceitar.

Existem períodos em que a vida simplesmente não parece avançar na velocidade que gostaríamos.

Pode haver mudanças, perdas, dificuldades financeiras, problemas familiares, questões de saúde, transições profissionais ou simplesmente momentos em que ainda não sabemos qual caminho queremos seguir.

Nem todo período precisa produzir grandes conquistas.

Alguns períodos são de construção.

Outros, de escolha.

Outros, de recuperação.

E alguns são simplesmente confusos.

Isso não significa que todos os caminhos levam ao mesmo lugar ou que nossas escolhas não importam.

Significa apenas que uma trajetória não precisa parecer linear para ter sentido.

 
 
 

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